Posts Tagged ‘Aquecimento Global’

COP 19 – O marasmo de sempre com uma novidade

Os avanços foram poucos, mas o estabelecimento de regras para o REDD+ é um alento para as nossas sofridas florestas

Por Reinaldo Canto*

O compasso se manteve coerente com as últimas Conferências do Clima realizadas anualmente. Duas semanas de discussões, todos os representantes de países muito preocupados com as óbvias e ululantes mudanças climáticas cada vez mais evidentes e perigosas e ao mesmo tempo um tal de simplesmente dizer que, “ não é comigo” e “vamos deixar como está para ver como é que fica”. Uma total falta de compromissos e posicionamentos vacilantes em relação ao estabelecimento de ações que faça frente ao temido aquecimento global.

Não bastaram os novos dados apresentados recentemente pelos cientistas do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) dando conta do agravamento das condições climáticas e a inédita força do tufão Haiyan que dias antes havia arrasado as Filipinas. A insensibilidade imperou até o final da COP-19 em Varsóvia, na Polônia encerrada no final de semana, aliás, como já vem ocorrendo até com certa insistência nos últimos anos.

As ONGs (organizações não governamentais), entre elas as internacionais Greenpeace, WWF e Oxfam, além da brasileira Vitae Civilis até perderam a paciência e no penúltimo dia abandonaram a conferência, “para aproveitar melhor seu tempo”, conforme explicitado em comunicado conjunto.

Mas eis que no apagar das luzes, ao menos uma notícia contribuiu para algo de novo a anunciar, antes que fosse decretado o fracasso total da conferência.  Os participantes chegaram a um acordo quanto ao estabelecimento de regras para o financiamento do REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação), um programa que visa garantir a preservação das florestas e apoiar os projetos de manejo sustentável e conservação. Os sempre difíceis consensos, neste caso teve um final feliz. Os países concordaram quanto à metodologia de rastreamento e fiscalização das áreas preservadas e também quanto à definição das regras e aportes financeiros ao Fundo Verde do Clima que irá ser destinado aos projetos de conservação.

Alguns países como Noruega, Reino Unido e Estados Unidos já anunciaram o aporte de recursos para o fundo da ordem de US$ 280 milhões. O Brasil é um potencial beneficiário desses investimentos em virtude da importância e das grandes ameaças às nossas florestas.

Claro que para uma conferência internacional desse porte, longas e desgastantes discussões, o anúncio de algo que já vinha sendo debatido desde 2010, não merece ser comemorado, mas diante dos resultados ainda mais pífios das COPs anteriores, vale brincar de contente e ressaltar esse avanço.

De qualquer maneira essa brincadeira precisa durar o tempo de uma rápida comemoração e partir para novas soluções e o efetivo reconhecimento das responsabilidades de todos nas mudanças que mais dia, menos dia, vão acontecer, sejam elas por bem ou por mal. Quem viver, verá!!

*É jornalista especializado em sustentabilidade e assessor de comunicação da Iniciativa Verde

O que você sabe sobre meio ambiente?

quizA Iniciativa Verde preparou um quiz especial para o Blog do Planeta, da revista Época. Quando 300 pessoas comentarem, 30 árvores serão plantadas! Responda as questões e nos ajude a preservar a Mata Atlântica. Clique aqui!

Iniciativa Verde amplia presença no litoral sul de São Paulo

Organização é eleita membro suplente do Grupo Setorial de Coordenação do Complexo Estuarino Lagunar de Iguape e Cananeia

ilahcompridaA Iniciativa Verde terá a oportunidade de contribuir com sua experiência para a implementação de ações visando à adaptação ao aquecimento global no litoral sul no biênio que inicia no novo mandato (2013 até 2015) do Grupo Setorial de Coordenação do Complexo Estuarino Lagunar de Iguape e Cananeia, importante órgão de gerenciamento costeiro de São Paulo.

“Além de consolidar a nossa relação com entidades públicas, empresariais e da sociedade civil da região, a presença no Grupo de Coordenação irá facilitar o desenvolvimento de nossas ações, em especial o Plano de Adaptação às Mudanças Climáticas realizado em parceria com o HSBC”, afirma Roberto Ulisses Rezende, presidente da ONG Iniciativa Verde e representante da organização no órgão. Ele explica que “poderemos incorporar nossas discussões nesse processo do gerenciamento costeiro (GERCO) e articular atividades específicas com o apoio de outros importantes atores do processo. Dessa forma, unimos os esforços para o enfrentamento do grave problema representado pelas mudanças climáticas”.

Leia na íntegra a Resolução SMA-7, de 31-1-2013.

Sobre a Iniciativa Verde

A Iniciativa Verde é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que tem como missão contribuir para a construção de um novo tempo baseado em uma economia de baixo carbono e na redução dos impactos ambientais causados pelas atividades humanas.

A instituição acredita na busca por novas alternativas de desenvolvimento e oferece uma gama de projetos relacionados ao combate às mudanças climáticas, recuperação ambiental, conservação da biodiversidade e restauro florestal.

Vídeo colabora para o debate sobre o aquecimento global

Novo vídeo com depoimentos de pesquisadores e de caiçaras, divulgado pela Iniciativa Verde, tem a intenção de estimular o debate sobre o aquecimento global. Veja acima.

A diferença entre a Destruição da Camada de Ozônio e o Aquecimento Global

Muitas pessoas ainda confundem a destruição da camada de ozônio com o aquecimento global. Estes dois problemas ambientais são extremamente diferentes, mas possuem uma pequena relação entre si. Vamos entender cada um deles.

 

Destruição da Camada de Ozônio

A camada de ozônio é uma espécie de capa composta por gás ozônio (O3), sendo responsável por filtrar cerca de 95% dos raios ultravioletas emitidos pelo Sol que atingem a Terra. Essa camada é de extrema importância para a manutenção da vida terrestre, pois caso ela não existisse, as plantas teriam sua capacidade de fotossíntese reduzida e os casos de câncer de pele, catarata e alergias aumentariam.

A degradação da camada de ozônio é um dos grandes problemas da atualidade. Esse fenômeno é conhecido como “buraco na camada de ozônio”; no entanto, não ocorre a formação de buracos e sim a rarefação dessa camada, que fica mais fina, permitindo que uma maior quantidade de raios ultravioleta atinja a Terra.

Em determinadas épocas do ano ocorrem reações químicas na atmosfera, tornando a camada de ozônio mais fina, mas logo ela volta à sua forma original. Contudo, as atividades humanas têm agravado esse processo, principalmente através das emissões de substâncias químicas halogenadas artificiais, com destaque para os clorofluorcarbonos (CFCs).

Essas substâncias reagem com as moléculas de ozônio estratosférico e contribuem para o seu esgotamento. Em 1987, visando evitar esse desastre, 47 países assinaram um documento chamado Protocolo de Montreal, que passou a vigorar em 1989. Esse Protocolo tem por objetivo reduzir a emissão de substâncias nocivas à camada de ozônio.

 

Aquecimento Global

Diversas pesquisas confirmam o aumento da temperatura média do planeta. Conforme cientistas do Painel Intergovernamental em Mudança do Clima (IPCC), o século XX foi o mais quente dos últimos cinco, com aumento de temperatura média entre 0,3°C e 0,6°C. Esse aumento pode parecer insignificante, mas é suficiente para modificar todo clima de uma região e afetar profundamente a biodiversidade, desencadeando vários desastres ambientais.

As causas do aquecimento global são relacionadas às atividades humanas, que intensificam o efeito estufa através do aumento da queima de gases de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural. A queima dessas substâncias libera gases como o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), que retêm o calor proveniente das radiações solares, como se funcionassem como o vidro de uma estufa de plantas; esse processo causa o aumento da temperatura. Outros fatores que contribuem de forma significativa para as alterações climáticas são os desmatamentos e as mudanças no uso do solo.

Em busca de alternativas para minimizar o aquecimento global, 162 países assinaram o Protocolo de Kyoto em 1997. Conforme o documento, as nações desenvolvidas comprometem-se a reduzir sua emissão de gases que provocam o efeito de estufa, em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990.

 

Relação entre ambos os fenômenos climáticos

Alguns gases possuem a capacidade de degradação da camada de ozônio e também de intensificar o efeito estufa. O principal exemplo são os clorofluorcarbonos (CFC), utilizados principalmente em refrigeração.

Iniciativa Verde no Congresso Ibero-Americano e do Caribe sobre Restauração Ecológica

Por Natália Massarotto

 

Na semana passada, estava participando do Congresso Ibero-Americano e do Caribe sobre Restauração Ecológica, que ocorreu em Curitiba de 9 a 13/11/09. Eu apresentei um poster sobre o Programa Carbono Seguro e foi publicado um resumo do trabalho no Anais do Congresso, que copio a seguir:

TRABALHO 137
PROGRAMA CARBONO SEGURO: DESAFIOS PARA O SEQUESTRO DE CARBONO NA MICROBACIA DO RIBEIRÃO DOS MACACOS, MUNICÍPIOS DE LORENA E GUARATINGUETÁ – SP

N. P. Massarotto
The Green Initiative – TGI, R. Campo Grande 443, Vila Hamburguesa, São Paulo – SP, CEP: 05302-051, http://www.iniciativaverde.org.br, Fone: (11)3647-9293

– Resumo
Com a assinatura do Protocolo de Quioto, que estabelece limites obrigatórios para a emissão de gases do efeito estufa (GEE) para nações industrializadas e em transição pode-se conseguir a redução das emissões, seja através de sua redução direta ou por meio do aumento na taxa de seqüestro de carbono. A importância das florestas como uma fonte de carbono (queima das florestas, desmatamento e erosão do solo) e a sua armazenagem (reflorestamentos e preservação de remanescentes florestais) fundamenta-se no fato de que podem desempenhar um papel-chave nas reduções de GEE para a atmosfera. Mecanismos como Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) e Redução de emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) podem contribuir para promover a valorização econômica, social e ambiental das florestas nativas pela garantia e permanência de seu estoque de carbono ao longo do tempo. Embora ainda carente de regulamentações técnicas, legais e políticas, as primeiras experiências de projetos de REDD começam a aparecer no mundo e no Brasil. Com o objetivo de contribuir ao combate das mudanças climáticas, a ONG Iniciativa Verde desenvolveu o Programa Carbono Seguro, um programa de mitigação no âmbito das reduções de emissões de carbono por desmatamento e degradação de florestas. O projeto-piloto está sendo implementado na microbacia do Ribeirão dos Macacos, municípios de Lorena e Guaratinguetá – SP, com a preservação de 17 hectares de remanescentes florestais da Mata Atlântica, prevenindo o desmatamento que liberaria cerca de 5.440 toneladas de CO2 para a atmosfera. Os proprietários rurais receberão, durante 30 anos, uma quantia equivalente ao carbono estocado na floresta excedente às Áreas de Preservação Permanentes e à Reserva Legal em sua propriedade. Neste sentido, o presente documento oferece uma estrutura conceitual que possa servir de base para novos projetos de REDD no Brasil e demonstra como esta estrutura conceitual pode ser posta em prática.

Palavras-chaves: aquecimento global; seqüestro de carbono; mata atlântica; preservação florestal

Natália Massarotto é Msc. em Ciências Florestais pela UNB e coordenadora do Projeto Carbono Seguro da Iniciativa Verde