A Mata Atlântica está fragmentada. E agora?

Área de restauro na área da Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA), no Rio de Janeiro.

Área de restauro na área da Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA), no Rio de Janeiro.

Magno Castelo Branco*

Após 500 anos de exploração predatória, a Mata Atlântica se encontra hoje reduzida a apenas 7% de sua cobertura original. Nos primórdios de nossa colonização, ela se estendia por 1,3 milhão de km2 abrangendo as regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil.

Essa exploração foi tão devastadora que o pau-brasil, a árvore que justifica o nosso nome enquanto nação, outrora abundante nesse bioma, agora se encontra ameaçado de extinção na natureza. A única maneira de observá-lo com facilidade é em algum jardim botânico ou unidade de conservação. Fazer uma trilha no “meio do mato” com a expectativa de encontrar um exemplar dessa árvore em seu estado natural significa frustração na certa.

A maioria desses 7% que restaram, algo em torno de 100 mil km2, se encontra em manchas espalhadas pelo território outrora ocupado pelo bioma. Ou seja, o que sobrou da Mata Atlântica está altamente fragmentado. Isso amplifica o efeito de borda e não fornece área de vida suficiente para as espécies animais que restaram desses cinco séculos de desmatamento. O bioma fragmentado como está perde muito de sua capacidade de fornecer os mesmos serviços ambientais que proveria caso a área restante estivesse contínua e concentrada em uma única região.

E o prognóstico disso tudo? Se não aumentarmos os esforços de recuperação da Mata Atlântica elegendo (e recuperando!) áreas prioritárias para a conectividade desses fragmentos e protegendo as espécies que aí vivem, as áreas restantes perderão em muito a sua capacidade de autoperpetuação frente à enorme pressão antrópica (derivada de atividades humanas) que sofrem atualmente.

Vale a pena lembrar que pelo menos 20% da cobertura original tem que ser recuperada, segundo o nosso desfigurado Código Florestal. Mas, infelizmente, no nosso país a legislação florestal tem um enforce digno de país-do-faz-de-conta e o enorme déficit florestal nesse bioma segue, ano após ano, década após década.

Mas e a Amazônia, não é esse bioma o “pulmão do mundo”? O mais importante e onde os esforços de conservação estão concentrados? A Amazônia segue em ritmo de desmatamento ainda maior que os verificados na Mata Atlântica no passado. Caso nenhum esforço de conservação efetivo for posto em prática, esses dois biomas importantíssimos para nós e para a humanidade, infelizmente, compartilharão do mesmo destino comum.

*Diretor do Departamento de Inventários da Iniciativa Verde

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2 responses to this post.

  1. Posted by Maria Lucia on 07/06/2013 at 11:29

    Excelente artigo…sugiro, porém, que observem as fazendas desapropriadas onde se instalaram os sem-terra…em muitas delas (por ex. a Teijin) esses elementos, como são cooptados nas cidades para adquirirem um pedaço de terra, a grande maioria não têm aptidão para a agricultura e o que fazem então? Detonam as matas para fazer carvão…

    Responder

  2. Os obstáculo são muitos, mas não podemos ficar inertes. É plantar e plantar e plantar para atingirmos os “20% da cobertura original que tem que ser recuperada”. Felizmente faço parte da JOBGROUP, empresa que se preocupa com o meio ambiente e parceira da INICIATIVA VERDE.

    Responder

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