Poder público e aquecimento global

O decisivo apoio à redução das emissões passa pelo entendimento sobre as suas consequências e pela adoção de medidas que tragam resultados

Uma portaria da Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente da capital paulista, definiu a obrigatoriedade de se compensar a emissão de gases de efeito estufa (GEEs) de todos os eventos realizados em parques municipais da cidade, desde 2007. Essa portaria define o plantio de árvores como a forma correta de se cumprir a determinação legal.

A Iniciativa Verde é uma das organizações que tem participado desse processo, sendo contratada por diversas empresas para compensar a emissão de seus eventos.  Graças à portaria, a Iniciativa Verde compensou mais de 100 eventos e plantou cerca de 40 mil árvores correspondentes a 24 hectares ou o equivalente a dois Parque da Aclimação recompostos em áreas de preservação.

Além da aprovação da Secretaria do Verde, ao contratar a Iniciativa Verde, as empresas organizadoras desses eventos receberam também o selo Carbon Free atestando a compensação dos impactos gerados pela emissão de gases de efeito estufa. Todas as árvores plantadas pela Iniciativa Verde são nativas da Mata Atlântica e contribuem para recuperar áreas degradadas e ajudam a proteger mananciais e fontes de água. Entre os eventos mais conhecidos do público compensados pela organização estão o São Paulo Fashion Week e o Festival de Cultura Japonesa.

Para Lucas Pereira, diretor da organização e responsável pelo Carbon Free, a portaria é muito positiva: “Ela contribui para a mitigação do carbono equivalente emitido, mas também serve de ação educativa e de conscientização podendo, tranquilamente, ser adotada por outras cidades e mesmo por áreas privadas de eventos”.

Maior responsabilidade do setor privado

Entre os principais argumentos utilizados para a adoção da portaria está a necessidade de reduzir os impactos ambientais. No caso dos parques, em exposições artísticas, culturais e atividades esportivas e de lazer, esses impactos são causados, principalmente, pelo deslocamento de pessoas para participar desses encontros, além pelos consumos de água e energia e geração de resíduos. Pelo programa Carbon Free, todas essas ações são contabilizadas e transformadas em carbono equivalente – maneira usada para calcular a quantidade de árvore a ser plantada.

O fato de um crescente movimento de empresas buscarem compensar voluntariamente suas emissões também é destacado na portaria como uma tendência global.Portanto, a Prefeitura não está “inventando a roda” ou trazendo dificuldades para os organizadores dos eventos, mas, sim, cumprindo seu papel de legislar a favor da sociedade.

O sucesso da medida merece ser preservado

A Iniciativa Verde também considera fundamental manter intacto o princípio básico da portaria que destaca: “A empresa, associação ou indivíduo responsável pelo evento deverá apresentar, no ato da assinatura do termo de responsabilidade, a estimativa técnica das emissões de GEE que serão geradas pela atividade e a compensação dessas emissões EM PLANTIO DE ÁRVORES”. Para o presidente da organização, Roberto Resende, a possibilidade de se utilizar de outras formas de compensação sem o plantio de árvores, pode ser mais barato para os organizadores, mas mesmo que também tenha o seu valor, acaba por enfraquecer os objetivos propostos pela portaria. Segundo ele, “o plantio de árvores é uma alternativa de compensação superior a outras, como os créditos de Carbono, pois reúne vários benefícios. Além do efeito global também contribui localmente, ao melhorar a paisagem, proteger os recursos hídricos e a biodiversidade. Este tipo de projeto também gera emprego e renda mais perto das atividades que provocaram as compensações. É muito melhor quando um projeto pode, além de contribuir para mitigar as mudanças climáticas, proteger os mananciais da cidade”.

Dessa forma, a Iniciativa Verde tem discutido com outras ONGs e agentes públicos a manutenção a norma e, mais, a sua ampliação em formato legal e em efeitos. A proposta é apresentar um Projeto de Lei para tornar obrigatória a realização de inventários e de compensações para todos os eventos de grande porte realizados na cidade de São Paulo por meio do plantio de árvores.

Além do caráter educativo, a nova lei pode ampliar, sem onerar significativamente o setor, a possibilidade de financiamentos de projetos de recuperação florestal de interesse da população paulistana.

 

Mais de 804 mil razões para apoiar o trabalho da Iniciativa Verde

DSC_9538Organização supera o plantio de 800 mil árvores com grandes ganhos sociais e ambientais

Após completar oito anos de atividades, a Iniciativa Verde recentemente superou a marca de 804 mil árvores nativas plantadas em áreas degradadas de mananciais e fontes de água. Esses plantios correspondem a 685 campos de futebol ou 480 hectares.

Além de projetos específicos desenvolvidos em parceria com o BNDES, Funbio, Itaú, HSBC e Petrobras, essa grande conquista foi possível graças ao apoio de mais de 600 empresas em mais de 1.200 projetos que decidiram compensar voluntariamente as emissões de gases de efeito estufa (GEE), por meio do programa Carbon Free, de suas operações, eventos, construção de lojas e processos produtivos.  Esses projetos foram responsáveis pela compensação de aproximadamente 80 mil toneladas de dióxido de carbono.

O programa Carbon Free dá direito ao selo de mesmo nome atestando que aquela atividade foi compensada por meio da recomposição florestal. Esta, durante o crescimento das árvores, irá absorver o carbono equivalente emitido por essa atividade.

Pessoas físicas também contribuíram com seus recursos em benefício de projetos de recuperação da floresta nativa. Por meio do Amigo da Floresta, você também pode destinar algumas árvores para os projetos de recomposição florestal da Iniciativa Verde.

Benefícios para a sociedade

Os ganhos vão muito além do plantio de árvores. Como a Iniciativa Verde atua em parceria com agricultores e comunidades rurais, o trabalho da organização já propiciou renda e emprego para diversas famílias em propriedades rurais dos estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, entre outros. Todo esse movimento chega às cidades, algumas bem pequenas, contribuindo para incrementar o comércio local. Além disso, os técnicos da Iniciativa Verde buscam o apoio e o bom relacionamento com o poder público e representantes locais da sociedade civil para gerar ações de conscientização e educação ambiental nas áreas próximas aos restauros.

A Iniciativa Verde está consciente da difícil tarefa que é recuperar, ao menos uma parte, de um dos biomas mais degradados e ameaçados do planeta. Mas a cada avanço, a cada novo projeto fechado e executado com os efeitos práticos conquistados, os membros da organização têm a certeza da relevância em lutar em prol da riqueza e exuberância de nossa Mata Atlântica.

Instituto Aon contribui com 390 árvores por meio do Amigo da Floresta

sitio_s_nicolau_06O Instituto Aon, uma associação sem fins lucrativos da consultoria e corretora de seguros Aon, apoiará projetos de 11 diferentes Instituições inscritas pelos colaboradores da Aon por meio da ação “Este projeto é nosso”. No que se refere às iniciativas ambientais, o Instituto Aon apoiou o projeto Amigo da Floresta, da Iniciativa Verde, com o plantio de 390 árvores na região da Mata Atlântica. “Esperamos repetir e ampliar em 2014 os resultados que tivemos este ano. Foi sem dúvida, um ano extraordinário”, diz Renata Mendonça, gerente geral do Instituto Aon. Leia a entrevista na íntegra feita pela Iniciativa Verde com a Renata Mendonça.

Há quanto tempo a empresa se preocupa com o meio ambiente?

Desde o primeiro semestre de 2010, com a criação do “comitê de Sustentabilidade”.

Quais são as práticas ambientais da Aon Brasil?

Monitoramento do consumo de água por meio de instalação de aeradores e caixas de água adicionais nos vasos sanitários; redução do consumo de energia por meio de interruptor inteligente, consumo de energia elétrica e interrupção das luzes em horários de baixa frequência no escritório; utilização de copos e canecas “não descartáveis”; instalação de coletores seletivos; reestruturação das impressoras para redução do consumo e desperdício de papel. Além das ações contínuas listadas, em 2013, a Aon viabilizou parceria com a ONG Iniciativa Verde para plantio de árvores nas áreas de Mata Atlântica.

Por que vocês tiveram a iniciativa de incentivar o plantio de árvores nativas da Mata Atlântica?

Para a Aon, a preocupação ambiental é latente e em seu planejamento sempre esteve presente o incentivo e fomento das praticas de preservação ambiental. Com base em nossa expertise, pudemos verificar a qualidade deste projeto, os resultados de médio e longo prazo.

Como chegaram ao número de 359?

A ideia era envolver os colaboradores nesta ação ambiental da Aon. Sendo assim, foi criada uma comunicação interna, onde cada colaborador, se desejasse, poderia informar que gostaria de plantar uma Árvore. Com isso, atingimos cerca de 600 funcionários, onde 359 optaram por plantar uma Árvore.

Como os funcionários participam das ações ambientais?

Por meio da comunicação interna e, posteriormente, por livre e espontânea vontade. As ações, em geral, estão divididas em: “incentivo às boas práticas”, onde o colaborador é convidado a exercer dentro e fora da empresa estas ações; “ações colaborativas”, onde são convidados a se juntarem outros para efetivamente exercer uma ação, de maneira voluntária; “ações patrocinadas”, onde os colaboradores são comunicados dos interesses corporativos, e são convidados a opinarem sobre esta ação da empresa.

Eles ficam animados com as ações ambientais? Qual o retorno deles?

Temos um índice de participação superior a 50% dos colaboradores. Os retornos são muito diversificados e sempre nos servem de base para as próximas ações.

Vocês acreditam que cuidar do meio ambiente pode, inclusive, melhorar o ambiente corporativo?

Sim, acreditamos. A prova disso são nossas constantes ações e nossa crença demonstrada nos valores de nossa empresa – Ética e Transparência; Excelência e Comprometimento; Sustentabilidade do Negócio; e Responsabilidade Social.

Sobre o Instituto Aon

Criado em 2012, o Instituto Aon é uma associação sem fins lucrativos da consultoria e corretora de seguros Aon, que contribui para a sociedade mobilizando empresas e pessoas para desenvolver e zelar por valores sustentáveis. Braço da Aon, líder mundial em gestão de riscos, corretagem de seguros, resseguros e consultoria em benefícios e capital humano, o Instituto Aon realiza campanhas de arrecadação, promove eventos beneficentes e implementa ações de conscientização sobre a importância das práticas sustentáveis. Com o objetivo de melhorar a vida das pessoas e da sociedade em que atua, o Instituto Aon apoia 16 instituições espalhadas pelo Brasil, impactando a vida de mais de 1.500 pessoas (crianças e idosas). Com a ajuda dos colaboradores voluntários da Aon, o Instituto promoveu em 2013 as Olimpíadas do Bem, e o resultado foi extraordinário: mais de 10 toneladas de alimentos, 3.000 peças de inverno, 4.000 brinquedos e 5.000 produtos de higiene pessoal. Por meio de parcerias o Instituto Aon obteve muitas outras realizações: tratamento dentário gratuito para crianças e pais na favela da Rocinha, tratamento dentário gratuito até a maioridade para um grupo de adolescentes carentes em São Paulo, viabilizou o curso profissionalizante para duas jovens sem renda e levou a música para uma Creche que atende 50 crianças de baixa renda.

Equipe da Iniciativa Verde grava boletins nas rádios Eldorado e Estadão

DSC06288

Da esquerda para a direita: Reinaldo Canto, assessor de imprensa da Iniciativa Verde, Jéssica Campanha, do departamento técnico, e Pedro Barral, diretor florestal.

A equipe da Iniciativa Verde gravou hoje (dia 11) mais nove boletins de um minuto cada sobre meio ambiente para as rádios Eldorado e Estadão. A parceria entre as organizações inclui a compensação das emissões de gases de efeito estufa (GEE) das atividades cotidianas das rádios por meio do programa Carbon Free, da Iniciativa Verde. Para isso, serão plantadas 1.675 árvores de Mata Atlântica em áreas degradadas. Saiba mais sobre a parceria aqui.

Ouça os boletins:

Rádio Eldorado – 107,3 em três edições diárias terças, quintas e sábados em horário rotativo;

Rádio Estadão – 92,9 também em três edições diárias segundas, quartas e sextas no período entre 14h40 e 20h40.

Livreto explica como aplicar o Código Florestal

livrosobrecodigoflorestalA Iniciativa Verde lançou o livreto “Sustentabilidade: Adequação e Legislação Ambiental no Meio Rural”, publicado por meio do projeto Plantando Águas, este patrocinado pela Petrobras. A publicação é um roteiro simplificado que resume o “novo” Código Florestal (Lei 12.651/12) e aborda diversas questões relativas à aplicação desta e de outras leis. Escrito pelo engenheiro agrônomo Roberto Resende, presidente da Iniciativa Verde, a publicação tem 40 páginas e pode ser baixada por meio deste link ou preenchendo o formulário abaixo.

Duas mil cópias do livreto foram impressas e serão distribuídas para os agricultores familiares, incluindo assentados rurais e quilombolas que participam do projeto Plantando Águas. A publicação será usada para orientar os trabalhos da instituição e dos parceiros e para auxiliar os participantes do projeto a adequarem ambientalmente os seus imóveis rurais. Como o Plantando Águas é realizado no estado de São Paulo, o livreto também aborda outras legislações a serem aplicadas na região, como a Lei da Mata Atlântica.

O livreto trata de temas relativos ao novo Código Florestal e de aspectos técnicos para a adequação ambiental como bacias hidrográficas, Mata Atlântica, recomposição florestal, uso e conservação do solo e licenciamento ambiental. A reprodução de trechos da publicação é permitida desde que citada a fonte.

Sobre o projeto Plantando Águas

O projeto Plantando Águas, patrocinado pelo Programa Petrobras Ambiental, foi elaborado pela Iniciativa Verde em parceria com cerca de 20 instituições. Ele tem como objetivo adequar propriedades rurais do estado de São Paulo de acordo com o que estabelece o “novo” Código Florestal para recuperar e conservar os recursos hídricos. Aproximadamente, 200 famílias serão beneficiadas diretamente em municípios do interior do estado.

Com o Plantando Águas, a Iniciativa Verde e seus parceiros pretendem:

  • Recuperar 20 hectares de áreas de preservação permanente (APPs) de Mata Atlântica;
  • Executar 24 hectares de sistemas agroflorestais para fins produtivos;
  • Implementar mais de 140 módulos de saneamento;
  • Elaborar 110 planos de manejo de propriedades da área rural;
  • Inscrever pelo menos 85 imóveis no Cadastro Ambiental Rural (CAR), registro obrigatório para todas as propriedades rurais.

COP 19 – O marasmo de sempre com uma novidade

Os avanços foram poucos, mas o estabelecimento de regras para o REDD+ é um alento para as nossas sofridas florestas

Por Reinaldo Canto*

O compasso se manteve coerente com as últimas Conferências do Clima realizadas anualmente. Duas semanas de discussões, todos os representantes de países muito preocupados com as óbvias e ululantes mudanças climáticas cada vez mais evidentes e perigosas e ao mesmo tempo um tal de simplesmente dizer que, “ não é comigo” e “vamos deixar como está para ver como é que fica”. Uma total falta de compromissos e posicionamentos vacilantes em relação ao estabelecimento de ações que faça frente ao temido aquecimento global.

Não bastaram os novos dados apresentados recentemente pelos cientistas do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) dando conta do agravamento das condições climáticas e a inédita força do tufão Haiyan que dias antes havia arrasado as Filipinas. A insensibilidade imperou até o final da COP-19 em Varsóvia, na Polônia encerrada no final de semana, aliás, como já vem ocorrendo até com certa insistência nos últimos anos.

As ONGs (organizações não governamentais), entre elas as internacionais Greenpeace, WWF e Oxfam, além da brasileira Vitae Civilis até perderam a paciência e no penúltimo dia abandonaram a conferência, “para aproveitar melhor seu tempo”, conforme explicitado em comunicado conjunto.

Mas eis que no apagar das luzes, ao menos uma notícia contribuiu para algo de novo a anunciar, antes que fosse decretado o fracasso total da conferência.  Os participantes chegaram a um acordo quanto ao estabelecimento de regras para o financiamento do REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação), um programa que visa garantir a preservação das florestas e apoiar os projetos de manejo sustentável e conservação. Os sempre difíceis consensos, neste caso teve um final feliz. Os países concordaram quanto à metodologia de rastreamento e fiscalização das áreas preservadas e também quanto à definição das regras e aportes financeiros ao Fundo Verde do Clima que irá ser destinado aos projetos de conservação.

Alguns países como Noruega, Reino Unido e Estados Unidos já anunciaram o aporte de recursos para o fundo da ordem de US$ 280 milhões. O Brasil é um potencial beneficiário desses investimentos em virtude da importância e das grandes ameaças às nossas florestas.

Claro que para uma conferência internacional desse porte, longas e desgastantes discussões, o anúncio de algo que já vinha sendo debatido desde 2010, não merece ser comemorado, mas diante dos resultados ainda mais pífios das COPs anteriores, vale brincar de contente e ressaltar esse avanço.

De qualquer maneira essa brincadeira precisa durar o tempo de uma rápida comemoração e partir para novas soluções e o efetivo reconhecimento das responsabilidades de todos nas mudanças que mais dia, menos dia, vão acontecer, sejam elas por bem ou por mal. Quem viver, verá!!

*É jornalista especializado em sustentabilidade e assessor de comunicação da Iniciativa Verde

Atingimos a marca de 800 mil árvores plantadas

800mil

Ainda temos outra notícia boa: alcançamos as 800 MIL ÁRVORES nativas plantadas! Obrigada a todos que fazem parte dessa história e contribuíram para essa recomposição florestal.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 6.258 outros seguidores